
Na concepção de muitas pessoas, padre é aquele que reza o dia inteiro, e não tem tempo para o lazer e realizar outras atividades. "Prefiro ser essa metamorfose ambulante! Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...". Quem poderia imaginar que essa música do pai do Rock'n Roll brasileiro, Raul Seixas, sairia da boca de um padre, ou até mesmo que ele confirmasse que essa música é o que o define? Com 41 anos, humilde, engraçado, de bem com a vida, dança, pinta, canta, faz mestrado, viaja pelo mundo e não tem restrições a qualquer tipo de assunto, Padre Mauro Luiz mostra que é assim: uma metamorfose. “Sou negro, atleticano, favelado, gosto de pintar, sou amante da Filosofia e da boa cozinha, me interesso por Teologia e espero ser um bom vizinho. Tenho muita fé e esperança.”, diz o padre.
Mauro muito feliz conta que adora lembrar-se da infância e juventude. Fala com a boca cheia e olhos saltitantes de um momento marcante de sua vida: os pés de Jabuticabas. “Meus avós chamavam a família para passar o domingo e com eles saborear aquela maravilha”. Risonho, descreve que os “pequeninos” como ele não podiam subir, mas que ficavam esperando ansiosos para que os meninos maiores jogassem algumas jabuticabas para eles. “Bem grande e bem doce! Meu Deus... Eu posso sentir o gosto agora! Doce, suave, frio e, às vezes, morno... Adoçou a minha vida” relembra emocionado.
Saber o que se quer da vida é uma tarefa difícil. Para ele isso não foi o problema. Aos 13 anos decidiu que queria ser padre, a escolha foi fácil, mas não foi simples assim. Mauro assume que teve que enfrentar sacrifícios, mas sentia que estava no caminho certo.
Tornou-se padre aos 28 anos e trabalhou na paróquia do bairro Gutierrez durante quatro anos até pedir para ser transferido para o Morro do Papagaio. Foi então que ele conseguiu realizar grande parte dos seus projetos de criança. “Parece impossível que alguém tenha como projeto de vida morar em uma favela, mas, também essa experiência, foi amadurecida no meu coração ao longo de muitos anos.”, diz Padre Mauro.
Saber o que se quer da vida é uma tarefa difícil. Para ele isso não foi o problema. Aos 13 anos decidiu que queria ser padre, a escolha foi fácil, mas não foi simples assim. Mauro assume que teve que enfrentar sacrifícios, mas sentia que estava no caminho certo.
Tornou-se padre aos 28 anos e trabalhou na paróquia do bairro Gutierrez durante quatro anos até pedir para ser transferido para o Morro do Papagaio. Foi então que ele conseguiu realizar grande parte dos seus projetos de criança. “Parece impossível que alguém tenha como projeto de vida morar em uma favela, mas, também essa experiência, foi amadurecida no meu coração ao longo de muitos anos.”, diz Padre Mauro.
A grande paixão do padre é o morro do Papagaio, segundo ele encontrou a comunidade aos cacos (desigualdade, tiroteios, mal cheiro dos becos e sujeiras), mas ao mesmo tempo rica de pessoas fantásticas. “Uma mistura de sonho e pesadelo, sabe como é?” Demonstra tristeza no seu semblante quando descreve que sempre caminhava pela Vila Esperança e voltava pra casa com a alma entristecida. “Chorava sozinho no meu barraco, uma mistura de raiva e vontade de fazer alguma coisa. Quando parei de chorar arregacei as mangas e fui para luta. Isso mesmo, depois do "Luto" fui para "Luta". Luto pela morte da minha infância quando ficava esperando jabuticaba e luta por direitos humanos, arte, escola, dignidade, comida...” explica indignado. Mauro pensativo diz que não quer que tudo que disse fique parecendo um momento de lembranças. E afirma que está em plena atividade, mesmo morando na Itália, e sempre que volta para o Brasil, vai ao morro para tentar recuperá- lo.
Hoje Mauro mora na Itália, em Padova, e faz mestrado em Historia da Arte e Preservação do Patrimônio Cultural, mas visita sempre que dá sua família, essa que ele dá grande valor. Mauro espera terminar seu curso em 2011 para poder voltar definitivamente para o seu "pé de jabuticaba". Mas não acaba por ai, e diz sorridente, “sinto que tem tanta coisa ainda por fazer... Ainda bem que falam que a vida começa aos 40... Então, estou apenas começando, né?”.
Por Luciana Xavier
Nenhum comentário:
Postar um comentário