segunda-feira, 10 de agosto de 2009

De princesa a monstro

Mulher é sinônimo de delicadeza, ternura, fragilidade, amor incondicional para quem ama. Um ser humano que tem o dom de contornar as situações difíceis e cuidar do próximo sem pedir nada em troca.

A mulher cuida da casa, do marido, dos filhos e ainda consegue trabalhar fora. A paciência é uma das maiores qualidades do sexo feminino. Saber esperar, ser controlada quando precisa, ter criatividade, surpreender o companheiro, dentre muitas outras coisas.

Claro que, como mulher, não posso me esquecer o principal: a vaidade, a beleza, o perfume, as roupas que nos deixam bonitas; sapatos, bolsas e acessórios que complementam o “look”, o batom que tem o poder de deixar sensual, enfim tudo que deixa deslumbrante e que um homem gosta. Afinal, atrás de todo homem existe um grande mulher.

Ai a mulher... Perfeita? Poderia até ser se não existissem aqueles 10 dias antes da menstruação. Sim, aqueles dias que a princesa se torna o mostro. Que a ternura se transforma em fúria. E que o cartão de crédito se torna o alvo para ir às compras e sai de perto quem tentar impedir.

Algumas semanas atrás li uma reportagem feita na Inglaterra, no qual um grupo de pesquisa entrevistou mulheres com idades entre 18 e 50 anos sobre seus hábitos de compras. Quase 60% de 153 voluntárias que estavam na última fase do ciclo menstrual admitiram, ter feito uma compra por impulso.

É nesse período menstrual que se brigou com o marido? Compras. Está se sentindo sozinha? Compras. Quer pular de um prédio? Compras. Quer matar aquele seu chefe chato? Compras.

Essa atitude de nós mulheres é por causa da grande descarga hormonal que nos causa muitas emoções negativas e faz com que nós gastemos muito e por impulso. Então se você mulher, está de TPM e sempre sonhou com aquela calça de 500 reais, essa é a hora para tomar coragem. E se você é o marido, também pode tomar coragem de enfrentar a conta do mês que vem.

vida...minha....

Procuro o meu caminho... Etapa final de jornalismo, mas o que eu sonho é ser atriz. Atriz? Tão distante.... Jornalista ainda mais....
Procuro fazer algo que dispare meu coração igual o amor. Que eu ajude pessoas... que não veja injustiça...IMPOSSÍVEL....

Procuro algo que orgulhe meus pais.... Pois eles merecem serem felizes...
E enquanto isso, o vazio me persegue.... meu sonhos se espalham, minha grande vontade de crescer para o mundo me reprime, minha cabeça fica a mil.... a vida me decepciona com tantas injustiças por ai, mas ao mesmo tempo me dá uma alegria gigante: nos sorrisos dos meus pais, no carinho do meu amor, na lua cheia, no som do vento, e em muitas atitudes simples que muita gente, muita gente mesmo não reconhece......

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Ao excelentíssimo sentimento que me afliges,

Uma explicação, tu deves Medo. Porque embaralhas meu olhar, minha mente? No momento em que há uma decisão, um caminho pedregoso a seguir, tu fazes minhas pernas tremerem, meu coração disparar. Medo, porque tu me fazes pensar em trilhar caminhos mais fáceis e fugir da realidade? Quantos momentos de minha vida tu atrapalhaste? Não te dou esse direito.
Bem me lembro, a primeira vez que meus pais me deixaram sozinha em casa. Como tu me deixaste apavorada, inventavas zumbidos, passos, assombrações para assustar-me. Ou então, nas provas de direção, como tu colocavas em minha cabeça que era impossível de fazer uma baliza. Consegui passar depois de muito tentar, mas tu Medo, não me deixaste. E por mais que eu tente, tu me persegues. Prova do vestibular, que raiva de ti! Fizeste uma morada no meu estômago. Como já não bastasse, vieram as matérias da faculdade, no qual dia após dia tu me irritaste com seus pensamentos do tipo : – Como tu es burra! Muitas vezes acreditei, e continuei com ti ao meu lado. E por quantas vezes perdi meu tempo com ti, pensando no futuro.
O que fez me acordar para esse alojamento que tu fizeste em mim, foram algumas simples e cruéis palavras ditas por um professor, que dizia que tu, Medo, fazes com que eu siga o caminho mais fácil. Isso doeu. Tudo tua culpa. Não te quero mais comigo! Me impedes de crescer. Ínsito em dizer, tua culpa! Eu sei que não é só a mim que tu segues e sim, o mundo. Mas estes têm que acordar como fiz agora.
Por isso, quero falar-te, ou melhor, mandar-te embora de minha vida. Sinto uma grande força dentro de mim, e esta me diz que eu consigo. Esta me diz que tu es um aproveitador que logo que aparece a mudança, tu vens correndo. Chega caro medo! Tu não passas de um impostor. Vem devagar, amigável e logo se instala em mim, seja qual for a situação. Sinto- me agora superior a ti, e as mudanças não irão mais me abalar, e irei encarar esses caminhos que exigem mais de mim. E tu que ficaras sozinho. Medo, tu terás medo de mim. Pois a partir desse momento, eu virei o jogo. A vida terás um novo sentimento bem mais bonito e esperto do que ti. Pronto, já disse tudo que tinha para ti. Espero que tu tenhas vergonha na cara e SUMA.

Atenciosamente
Coragem.


Por Luciana Xavier

Padre sim tradicional não



Na concepção de muitas pessoas, padre é aquele que reza o dia inteiro, e não tem tempo para o lazer e realizar outras atividades. "Prefiro ser essa metamorfose ambulante! Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...". Quem poderia imaginar que essa música do pai do Rock'n Roll brasileiro, Raul Seixas, sairia da boca de um padre, ou até mesmo que ele confirmasse que essa música é o que o define? Com 41 anos, humilde, engraçado, de bem com a vida, dança, pinta, canta, faz mestrado, viaja pelo mundo e não tem restrições a qualquer tipo de assunto, Padre Mauro Luiz mostra que é assim: uma metamorfose. “Sou negro, atleticano, favelado, gosto de pintar, sou amante da Filosofia e da boa cozinha, me interesso por Teologia e espero ser um bom vizinho. Tenho muita fé e esperança.”, diz o padre.
Mauro muito feliz conta que adora lembrar-se da infância e juventude. Fala com a boca cheia e olhos saltitantes de um momento marcante de sua vida: os pés de Jabuticabas. “Meus avós chamavam a família para passar o domingo e com eles saborear aquela maravilha”. Risonho, descreve que os “pequeninos” como ele não podiam subir, mas que ficavam esperando ansiosos para que os meninos maiores jogassem algumas jabuticabas para eles. “Bem grande e bem doce! Meu Deus... Eu posso sentir o gosto agora! Doce, suave, frio e, às vezes, morno... Adoçou a minha vida” relembra emocionado.
Saber o que se quer da vida é uma tarefa difícil. Para ele isso não foi o problema. Aos 13 anos decidiu que queria ser padre, a escolha foi fácil, mas não foi simples assim. Mauro assume que teve que enfrentar sacrifícios, mas sentia que estava no caminho certo.
Tornou-se padre aos 28 anos e trabalhou na paróquia do bairro Gutierrez durante quatro anos até pedir para ser transferido para o Morro do Papagaio. Foi então que ele conseguiu realizar grande parte dos seus projetos de criança. “Parece impossível que alguém tenha como projeto de vida morar em uma favela, mas, também essa experiência, foi amadurecida no meu coração ao longo de muitos anos.”, diz Padre Mauro.
A grande paixão do padre é o morro do Papagaio, segundo ele encontrou a comunidade aos cacos (desigualdade, tiroteios, mal cheiro dos becos e sujeiras), mas ao mesmo tempo rica de pessoas fantásticas. “Uma mistura de sonho e pesadelo, sabe como é?” Demonstra tristeza no seu semblante quando descreve que sempre caminhava pela Vila Esperança e voltava pra casa com a alma entristecida. “Chorava sozinho no meu barraco, uma mistura de raiva e vontade de fazer alguma coisa. Quando parei de chorar arregacei as mangas e fui para luta. Isso mesmo, depois do "Luto" fui para "Luta". Luto pela morte da minha infância quando ficava esperando jabuticaba e luta por direitos humanos, arte, escola, dignidade, comida...” explica indignado. Mauro pensativo diz que não quer que tudo que disse fique parecendo um momento de lembranças. E afirma que está em plena atividade, mesmo morando na Itália, e sempre que volta para o Brasil, vai ao morro para tentar recuperá- lo.
Hoje Mauro mora na Itália, em Padova, e faz mestrado em Historia da Arte e Preservação do Patrimônio Cultural, mas visita sempre que dá sua família, essa que ele dá grande valor. Mauro espera terminar seu curso em 2011 para poder voltar definitivamente para o seu "pé de jabuticaba". Mas não acaba por ai, e diz sorridente, “sinto que tem tanta coisa ainda por fazer... Ainda bem que falam que a vida começa aos 40... Então, estou apenas começando, né?”.
Por Luciana Xavier